quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Trinta e uma linhas
Um é poesia, outro uma canção.
Prosa, rima e versos suaves para o ouvido
Peso, melancolia e desespero para o coração.
Um tem o ritmo que quisermos recitar
Outro tem levada forte que não dá pra controlar.
É canibal e doloroso, é sereno e prazeroso.
É certeza e quente, é duvidoso e inconsequente.
Eu tenho dois segredos que guardo comigo
É catástrofe e confortante, é paz e perigo.
É pressa e ansiedade, é garoa com sol no sábado a tarde.
É heterogêneo e uniforme, é um mix que não dorme.
É agito da madrugada na mata do interior
É silêncio na balada, o frio que passa calor
É segredo e não conto,
É um grito de amor, um conto.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Não falo nada
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Eu queria ser um segredo
Quinta pra sexta-feira, coloquei minha fantasia de baladeiro e saí com a Laura, amiga que saio desde que tenho uns 14 anos, passei na casa dela e fomos a um bar jogar sinuca.
Lá encontramos alguns amigos meus e amigos e amigas dela. A maioria, por sinal, já se conheciam, só eu não sabia desse universo de amizades em comum. A princípio foi divertido.
Dormi muito. Acordei quase oito da noite. Jantei. Tomei banho. Me troquei. Aí liguei pra Laurinha pra passar na casa dela pra buscá-la. Não me atendeu. Liguei pra Ariane que disse ter falado com a Laura e ela já estava a caminho. Justo! Peguei meu carro, liguei o GPS. Passei no mercado. Comprei umas bebidas e fui pra casa da Ariane. Com uma fantasia de quem iria se dar bem naquela noite, desliguei meu celular pra nenhum amigo vir atrás de mim.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Isso é só para poetas
Esses dias estava com vontade de escrever uma poesia. Comecei a falar de amor. O clichê dos poetas. Então acho que comecei bem.
Me arrisquei a viajar por dizeres entre aspas, onomatopéias e metáforas nunca antes mencionadas, sentimentalidades fúteis ou não.
Escolhi uma música - aleatoriamente - pra fazer plano de fundo para minha inspiração,
E esse X é de errado.
mas não deu certo, obvio. Não sou um poeta.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Sonho, pesadelo e a realidade
Foi um, dois ou três anos querendo e sonhando com a cumplicidade, imaginando ideais compartilhados. Como é bom viver nos sonhos, né?! Ideologia.
Você já viveu aquela sensação de sorrir ao ver um sorriso? Sorrir tanto de achar que seu peito não vai aguentar, de seus olhos se arregalarem de tanta satisfação? Suas mãos suarem levemente? E tudo por causa de um sorriso compartilhado? E quando o sorriso é acompanhado de um abraço? Aquele abraço que faz o mundo parar, perder a noção do tempo, suas pernas tremerem, esquentar, seus batimentos cardíacos superarem sua respiração. Sabe?
Foi só um pesadelo. Calma.
Dei um pulo da cama querendo saber o que eu tinha sonhado. Estava ofegante e preocupado. Abri a janela pra luz entrar e sentei na cama. Fiquei atrapalhado de sono e com a cara amassada. Fechei os olhos e busquei entender o que tinha acontecido.
Um porta retrato. Um céu azul. Um vestido branco. Um par de óculos escuros. Um abraço molhado. Sal. Vento. Era só o que eu conseguia lembrar. Olhei para o relógio e já estava atrasado para ir trabalhar.
Tomei um banho rápido. Minhas roupas já estavam no mancebo do meu quarto. Peguei as chaves e fui trabalhar sem tomar café.
No caminho, durante o trânsito, olhava - com mais curiosidade do que de costume - os carros que passavam ao meu lado na busca de algum sinal que conflitasse com o meu sonho - supersticioso, ou não?rs - . Passou uma mulher, com seus 40 e poucos anos, se maqueando no espelho retrovisor interno, um caminhoneiro comendo um pão francês com algum recheio, um casal cantando e dezenas de sonolentos e curiosos como eu.
No balcão reparei a agilidade dos atendentes e a alegria com que trabalhavam, sempre sorrindo e brincando um com os outros.
Do outro lado do balcão sentou uma moça loira, cabelos enrolados, vestida socialmente, maqueada ao tom do rosa mais claro que existe, bonita. E só. Pediu um chá gelado e um lanche natural.
Ela olhava a TV com ar de recriminação ao ver o sensacinoalismo que tratavam as enchentes e crimes pela cidade. Talvez tivesse notado que eu estava a observar seus movimentos, ficou olhando para seu copo de uma maneira que eu sabia que ela conseguia me ver. E ficou assim durante alguns segundos e eu imóvel também.
Nesse momento entrou um garoto negro, com uns 12 anos, camisa do flamengo e um pacote de balas de uvas na mão. Ofereceu de mesa em mesa, de balcão a balcão. Quando chegou em mim o garoto pediu para eu pagar-lhe um lanche.
"- Um bauru e uma coca cola para o menino aqui." - pedi.
O guri, Rafael, morava em um bairro próximo. Me contou que sua mãe havia falecido há pouco mais de 3 meses e que ele e mais dois irmãos precisavam trabalhar para não acabar como o pai - morto por policiais em uma fuga-.
Nesse bate papo rápido notei que a loira ficava a contemplar nossa conversa. Quando olhei pra ela, ela fez sinal de 'sim' com a cabeça e se aproximou.
- Oi menino. Tudo bem? Vi que o papo de vocês estava bom, desculpe atrapalhar. Mas me interessei pelo que conversaram. Meu nome é Hellen e trabalho em um programa de TV e gostaria de saber mais sobre você.
Quando terminei meu lanche, o guri já não estava mais por perto.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Planeta Terra da garoa
Está também cansado de ver os desastres que a chuva está causando? Têm visto as massivas reportagens com jornalistas dizendo e gritando: "A Natureza está revoltada!"? Seus vizinhos colocam a culpa em S. Pedro? É culpa do aquecimento global? Do Governo?
Agora, olha só. O nível da água mundial sempre foi e sempre será o mesmo. Não é lógico? (Desconsiderando a hipótese de importar água de outros planetas.)
1 litro de água evaporado será um litro de água sempre. A diferença é que tiramos a água do solo e não damos espaço pra ela voltar. Cavamos até dezenas de metros para alcançá-la e construímos tudo em volta com concreto e asfalto. Não precisa ser muito inteligente pra entender isso, né?!
Criamos estradas, derrubamos as árvores, construímos barreiras, afunilamos e canalizamos rios. E consumimos água. Muita água! Temos mais pessoas do que 50 anos atrás. Consumimos mais água do que 50 anos atrás e vedamos o chão, o não acontecia 50 anos atrás.
Não adianta criarmos piscinões, aumentarmos a largura dos rios ou colocarmos toalhas nas nuvens. Esqueceram do ditado “tudo que sobe, tem que descer”? Ah vá! É muita burrice.
A culpa não é de S. Pedro, nem da Natureza – ela sempre foi assim: aquece, evapora e chove.- “Ah! Mas agora tem o aquecimento global!” – vão dizer. Ou... “Evapora lá, mas chove aqui.”
Pergunto: Você vai comprar pão a pé ou de carro? Você pratica coleta seletiva? Tem e usa uma bicicleta para meio de transporte (não lazer). Utiliza bens reciclados? Sabe como reduzir poluentes do seu carro? Sabe como foi o processo de fabricação dessa calça que você está usando? Se não soube responder algumas dessas perguntas, a culpa das enchentes é sua. Você é um dos vilões do aquecimento global.
Acredito que com controle e planejamento do consumo, natalidade e progresso as coisas seriam diferentes.
Homem é bicho burro. Ele é culpado. Eu não acredito que tenha mais jeito de consertar. A água vai sim acabar com tudo. Ou melhor, nós vamos acabar conosco. E estamos avançando com esse processo.
terça-feira, 27 de abril de 2010
A merendeira
Quando estava no ensino fundamental não saia da cantina ou da copa, onde serviam a merenda, por nada. Geralmente eu era o primeiro a entrar e o último a sair, sempre antes e depois do sinal. Por essa minha infância bem regrada tenho essa pança cultivada com carinho.
Havia 3 portas nessa copa/ refeitório. Uma de entrada, outra de saída e uma que ficava atrás do balcão das merendeiras que dava para uma área restrita a funcionários.
Certa vez, em um dia de fome rotineira, ao tomar minha sexta caneca de leite com toddy acompanhado do décimo pão com manteiga, estava a apreciar a movimentação no refeitório quando aconteceu a coisa mais engraçada que já vi na vida. Um garoto arremessou sua caneca no balde que ficava ao lado da porta de saída. Era um balde pra isso mesmo, para deixar as canecas usadas. Porém a caneca deste jovem estava cheia ainda, metade caiu dentro do balde e metade voou no cabelo de uma menina. Hilário. Vergonhoso pra menina e pro jovem desatento, mas nenhum dos dois percebeu, o que tornou a cena ainda mais engraçada. Só não foi tão engraçado como o leite que escorria pelo meu nariz no meio do refeitório. Rindo sozinho. Alto. Quase cai no chão de dar risada, mas eu estava na quarta-série e não tinha moral alguma construída ainda. Como tinha visto o que eu vi, fui zombado pela escola inteira como o garoto que gorfou pelo nariz. Não achei engraçado.
Uma vez, nesse mesmo refeitório da escola, fiquei olhando a reação da galera ao ver o que tinha no cardápio do dia:
- Temos purê e carne moída. – disse a merendeira
- Affff, isso, de novo? Como alguém consegue comer essa ‘nhaca’?
- É o que temos pra hoje. – complementou a merendeira.
No momento, como sempre, achei muito engraçado e continuei olhando a reação do pessoal:
- O que tem hoje, tia?
- Temos purê e carne moída.
- Nossa. Pode colocar pra mim.
- Sim, é o que temos pra hoje.
Fiquei olhando o pessoal pedir, comer, outros saiam da fila, outros faziam cara de nojo, mas era o que tinha pro dia. Fui embora.
Hoje, após ler um texto do Charlie Chaplin “O DIA DE HOJE”, lembrei desse fato da merendeira.
“...Posso reclamar porque está chovendo
ou agradecer às águas por lavarem a poluição.
Posso ficar triste por não ter dinheiro
ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde
ou dar graças por estar vivo...”
O dia de hoje – Charlie Chaplin
O que você tem pra hoje, você pode mudar? É ruim ou bom, vai ignorar ou resolver, vai fugir ou enfrentar, vai querer o purê ou vai procurar outra comida, vai resolver o problema ou arranjar uma desculpa, vai sair pela tangente ou fazer cara de nojo?
Afinal, todo dia, só temos o purê e carne moída. Que tal?
